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7 de fevereiro de 2013

As profundezas do "eu" e a maternidade

Ninguém tinha me contado das dificuldades da maternidade. Nenhum parente próximo ou amiga mais íntima que pudesse me alertar das agruras de ser mãe. Porque eu não tinha pensado em ser até me tornar uma e por alguma razão as pessoas não te contam desse dark side.

Muitas mulheres dizem que só se sentiram completas depois de ser mãe. Não que eu me sentisse completa antes, mas definitivamente não foi o fato de ter um bebê que me fez sentir esse ' completo'. E acho q na verdade passei a me sentir mutilada de muitas formas.Pq quando se tem um bebê, a sua vida muda completamente. E acredito q mesmo estando preparada é uma mudança muito forte, não estando preparada então, posso garantir que é um choque.

Vc tem oito meses, as vzs menos, dependendo de que estagio descobriu a gravidez,pra se " preparar" mas uma coisa é você cuidar de um bebê dentro de você e outra completamente diferente é cuidar de um fora , mas que ainda precisa que vc esteja grudada nele 24 hs por dia. E nisso vc perde até o movimento dos braços que ficam integralmente envoltos naquele pequeno ser, vc vive em função das vontades dele, não tem mais tempo pra pensar em vc, nem tomar banho,escovar os dentes, fazer xixi, que dirá dormir. É como se vc tivesse que deixar o seu corpo só pra cuidar dele e o seu eu fica esperando em algum lugar qualquer o mínimo momento de vc voltar pra satisfazer meia ou uma das suas necessidades antes de voltar a cuidar do seu filho.

E vc se sente o ser mais sozinho do mundo. Mesmo que seu marido, sua mãe, amigos, parentes estejam próximos. Porque aquele trabalho é só seu, pq chega uma hora em que todos se vão pra suas vidas, seus trabalhos e passeios e vc continua ali se revezando entre trocar fraldas e dar de mamar e embalar e colocar pra arrotar.
Com certeza a privação de sono é a pior coisa de todas. Pq essa hora q seria efetivamente só sua é interrompida, numa visão super otimista, a cada três horas, ou no meu caso, a cada duas ou uma ou meia hora. E vc passa a zumbizar por aí, chorando e ouvindo choros a maior parte do tempo.

Dizem que depois de três meses melhora. Mentira. Pra mim foi mentira. Porque ninguém te conta nada mas adora perguntar depois: dorme? E quando vc conta o que está passando as pessoas vem dizendo " é assim mesmo!" . Meio que encerrando o assunto ou contando o que aconteceu o próprio filho: fulano tinha um mês e já dormia a noite toda. Beltrano demorou três meses! Eu conto que César está com quase nove meses e depois de muito custo (algum próximo post), dorme das 20:30 mais ou menos até as 23hs, mama e acorda as 5 ou 6 da manhã. E isso é uma benção apesar de não ser perfeito. Porque até os sete meses ele ainda acordava a cada 2:30, 3 hs pra mamar.

Tem muita coisa obscura e sombria que vem junto no pacote. Muito conhecimento de si mesmo que aflora, mas não vem só de maneira leve e descontraída. E parece q é pecado vc dizer q sofre num momento táo mágico e milagroso da vida, então vc tem que fingir/esconder de todo mundo o que pensa e sente.
Tive quatro ou cindo crises que explodiram desde que César nasceu. Conversei muito com meu marido, contando coisas que não eram as mais legais de se dizer pra ele e pra ninguém e ele foi um espetáculo, entendendo a situação e me ajudando da maneira que era possível.

O tempo realmente ajudou. Fui descobrindo, trabalhando e aceitando os meus conflitos e as dúvidas. Sei que ainda tem muita coisa pra aprender, compreender e trabalhar, mas fico feliz em perceber que amadureci muito em pouquíssimo tempo e hoje entendo coisas que estavam escondidas lá no intimo e que só um acontecimento muito poderoso como o de se tornar mãe poderia fazê-los vir a tona.

22 de janeiro de 2013

Herança de preocupação


Acho que toda mãe fala quando somos criança ou adolescente e queremos fazer alguma coisa que as preocupe ou que não concordamos com a opinião materna delas: você vai ver quando tiver seu filhos!
Eu sempre respondia que não ia saber porque nunca ia ter filhos. E nisso o cuspe explodiu no meio da minha testa e hoje eu entendo perfeitamente o que minha mãe queria dizer com isso.

Quando César nasceu, eu tinha visões derrubando meu filho do nada. Sonhava (nos poucos instantes que conseguia dormir) que ele estava nos meus braços e de repente, meus músculos falhavam e meu bebê caia no chão. Tinha neuras terríveis e ficava atormentando o Alessandro ( pai do meu gordelo lindo and meu marido) achando que ele poderia derrubar o pobre neném. Isso quando não achava que poderia afogá- lo no banho, ou que ele rolaria da cama enquanto eu me virava pra pegar a fralda, apesar do bebê mal mexer braços e pernas, quanto mais se virar.

Tive medo da reação das vacinas, da morte súbita do recém nascido (livrai todas as mães dessa tragédia, amém) e do bebê asfixiado com o refluxo, entre outras tantas que agora nem me lembro.

Uma vez, César estava se esgoelando depois do banho e do nada parou e ficou com os olhos parados (eu vi isso, juro). Eu dei um grito e uma chacoalhada: Filho! 
Nessa até minha mãe se vingou de anos comigo falando que ela era doida de tanto inventar preocupação e disse: Nossa, mas que exagero, filha! Ele tá bem!

César e a vovó 
Então pude entender as " bobagens" de minha mãe. Não, realmente não existe amor maior, sem limites e mais apavorante que o amor sentido por um filho. E não existe tamanha preocupação quanto a que temos em querer fazer direito e o melhor por eles.

Fico esperando o momento em que César vai querer fazer alguma coisa que me deixe muito preocupada, tipo a primeira excursão da escola ou mais tarde quando adolescente, querer comprar uma moto ou pular de pára-quedas (ainda bem q tá longe), e eu ficar querendo dizer não e ele dizendo que é bobagem q eu sou exagerada pra poder dizer na minha vez: vc vai ver quando tiver seus filhos!